17/08/2017

Institute - anarcho punk introspectivo


Institute é uma banda americana formada em 2013 em Austin no Texas. O som que fazem pode ser descrito como post-punk com laivos de anarcho-punk  na onda de uns Rudimentary Peni, Flux of Pink Indians, The Mob ou dos britânicos The Subhumans.
O especial destaque é dado ao vocalista paranóico Moses Brown, mesmo quando não se consegue decifrar o que sai da sua boca semicerrada. Podemos então sugerir que esta é uma banda sonora adequada para os tempos sombrios em que vivemos onde uma guerra nuclear está mais perto do que nunca.





Basicamente os Institute parecem ser uma banda saída da compilação de deathrock "Hell Comes to Your House" editada em 1981. A voz rouca de Moses Brown parece sempre desolada em que deriva entre vogais esticadas e consoantes de staccato que fazem lembrar um ataque de soluços. Mesmo quando não se consegue distinguir as palavras, muitas vezes soa como alguém em sofrimento comprovado por temas intitulados "Admit I'm Shit" e "I Am Living Death". 





A sua carreira começou em 2013 com o lançamento de uma cassete de demos e no ano seguinte lançaram 2 EP's ("Giddy Boys" e "Salt").
Apenas em 2015 é que resolveram editar um álbum com o apropriado título de "Catharsis" a que se seguiu outro álbum em 2017 intitulado "Subordination".




As letras de Moses Brown são profundamente pessoais, mas ao invés de mergulhar na introspecção e contar detalhes íntimos da sua vida, ele tenta desmantelar sistemas de pensamento e poder patriarcal. Brown investiga a segurança nacional e os fracassos da sociedade americana através da lente das suas experiências pessoais nas escolas públicas e artísticas. As músicas abordam a simulação solitária de interpretar as regras, a busca de dinheiro e poder, a aniquilação de uma verdadeira personalidade e os padrões de normalidade que, desde a infância, nos condicionam a sermos abjetos.






16/08/2017

Cat Nouveau - Radio Show episode #125 (31-07-2017)


Novos episódios, todas as segundas-feiras / New episodes, every monday
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episode #125 tracklist:

The Uglies - World of Crud
The Uglies - Living Failure
Mike Krol - Kelly
3D - Autista
Dan Sartain - I Wanna Join The Army
Flowers Of Evil - Regulation
Nancy - (Tuff) Mama
Arsene Obscene - J'aime Le Courant
The Speed Babes - Outhead
Broken Spells - One Chance
The Veggers - Reverie
Unnatural Axe - They Saved Hitler's Brain
Vaguess - Bad Chicks
Remnants - Get Back Here
Andy Human & The Reptoids - You Don't Even Know
Angry Angles - All The Same
Black Time - Industrial Anxiety
Thee Grinch - Each Side
Puny - ANW
The Cowboys - I Hope She's OK
Magnetix - LR6 (live)
Choke Chains - Billy The Monster
Beasteater - The Night Air
Nopes - Saigon - Stow
Dion Lunadon - Move
Poltergat - Clashdown Fever
Becky & The Politicians - Jackie & Judy
Liquids - Shackled In Chains


Mesa Cosa - fiesta salvaje de locos de Melbourne


Mesa Cosa é uma banda de Melbourne (Austrália) liderada pelo mexicano Pablo Alvarado, que não tenta esconder nada as suas origens. A maior dos temas são cantados (gritados!) em castelhano e faixas como "Satanas", "Bruja", "Los Perros" e "Hijo Del Mal" ajudam este mexicano e a sua trupe australiana a desfazerem em pedaços as paredes dos meus vizinhos. Isto é rock'n'roll brutal e atraente, enfurecido e brincalhão. É rock'n'roll em opiáceos mexicanos.





Os berros que esta banda normalmente utiliza para cantar fazem lembrar uns Black Lips  após terem tomado demasiados alucinógenos (ainda mais?), ou uns Cramps que tomaram demasiados speeds.
Dizem que os concertos (autênticas festas) destes australianos são completamente loucos e a principal questão em relação aos Mesa Cosa é como seria possível converter essa quantidade de energia insana em disco. Quando se tem músicos que colocam a vida em risco nas performances que fazem nos concertos, é difícil saber se estamos a lidar com psicopatas ou suicidas, e coisas como "segurança" e "espaço pessoal" deixam de fazer sentido para estes lunáticos. Portanto, capturar essa ideia em formato físico parecia tarefa para super-heróis, mas o que é um facto é que em disco está lá tudo e consegue-se ter uma ideia da loucura que é um show destes rapazes.





Estrearam-se com um EP em 2012 intitulado "Infernal Cakewalk" e em 2014 lançaram o seu primeiro álbum com o curioso título de "YaYa Brouhaha".



A rivalidade de Melbourne com Sydney também não deixa de estar presente na música dos Mesa Cosa em que todos gritam "I don't wanna go to Sydney, I know the girls from Melbourne will miss me" (eu não quero ir para Sydney, eu sei que as mulheres de Melbourne vão sentir a minha falta):




Este ano irão lançar um disco novo intitulado "El Es Demons" e o vídeo do single de apresentação "Matate" resume bem toda a descrição que se possa fazer desta banda.






15/08/2017

ISS - uma amálgama das melhores coisas do eletro-punk


ISS é um duo de synth-punk formado em 2015 na Carolina do Norte (USA). Se costumas frequentar este blog pelo punk rock sujo e garageiro, desta vez irás ficar surpreendido, porque o que temos aqui é um som recheado de sintetizadores na onda de uns A-Frames ou The Faint.






A base de todos os temas é marcada pelo ritmo do baixo apoiado numa batida electrónica por vezes super-rápida. Sintetizadores e guitarras preenchem os arranjos por baixo das vozes em dueto harmonizado. As músicas são todas curtas e directas, a maioria delas tem menos de dois minutos. Basicamente é uma boa amálgama das melhores coisas do eletro-punk.




Já lançaram dois álbuns e uma cassete. O primeiro de titulo homónimo surgiu no Verão de 2015, seguido da cassete "Studs" que contém alguns temas que viriam a constar no segundo álbum "(Endless Pussyfooting)" lançado em 2017.



Não te deixes enganar pelos vídeos que constam no Youtube, estes dois rapazes têm temas super rápidos a fazerem lembrar uns LARD ou Big Black. Passa pelos comentários deste post que não te irás arrepender do que irás encontrar por lá.





14/08/2017

New Berlin - post-punk de ansiedades paranóicas


New Berlin é uma banda de McAllen no Texas (USA) que começou por ser um projecto a solo de Michael Flanagan. No início de 2015 resolveu criar uma banda com os amigos Gustavo Martinez no baixo e Andrew Richardson na bateria.
Fazem um som post-punk que facilmente poderia ter sido editado no final da década de 70 do século passado, uma espécie de Wire / Crisis / Warsaw / Siglo XX, ou então uns jovens The Cure a tentarem impressionar o radialista John Peel.




Aqui temos vozes desgastadas, acordes toscos saídos da guitarra acompanhados por linhas de baixo e bateria do estilo anarcho-punk. Algo que resulta de forma maravilhosa quando estes sons se juntam e que me fizeram apaixonar por este trio logo na primeira vez que os ouvi.
Está cheio de riffs nervosos e afiados, acentuados por linhas de baixo rítmicas, baterias ardentes e a voz distorcida e monocórdica de Flanagan.
Um dos factores que me levou a gostar muito desta banda foi o distanciamento que quiseram impor às melodias sombrias (algo muito batido nesta onda) e resolverem ir pelo caminho mais punk-ish.




Começaram por lançar uma cassete e um EP em 2015 com um som bem crú e mal gravado, mas onde já se notava o caminho que queriam enveredar. Nestes dois trabalhos fazem algumas covers interessantes dos Joy Division, Ramones e Leonard Cohen. No ano seguinte resolvem lançar um EP só de covers, onde revisitam clássicos dos Wipers, Bob Dylan, Rolling Stones, ... e no final de 2016 lançam o seu primeiro álbum.
"Basic Function" é o disco que vocês têm de ouvir para exorcizarem de vez as misérias da vida e provavelmente funcionará como uma pequena dosagem de ansiedades paranóicas.






Facto curioso é que as vozes soam notavelmente britânicas, apesar do cantor ser sul-americano.


11/08/2017

Draggs - garage-punk espacial misturado com ácidos de qualidade duvidosa


Draggs são quatro rapazes australianos da zona turística de Gold Coast. Fazem um som garage-punk super lo-fi. Sim, eu sei que já devem estar fartos de ouvir falar destas novas sensações do garage-rock, mas acreditem que esta banda tem algo que a torna especial. A melhor forma que consigo imaginar para descrever o seu som é que se trata duma viagem espacial após uma bad trip de ácido.




Fazem-me recordar os Useless Eaters sobretudo na voz e gravação lo-fi, mas às vezes produzem uns beats estranhos e irregulares que me fazem pensar que são uma banda de metal industrial.
Formaram-se em 2015 e são liderados por Kel Mason, músico que também faz parte dos Gee Tee.



Já lançaram quatro trabalhos: umas demos em 2015, "Slob City" e "Slime Street" em 2016 e em Abril de 2017 lançaram "3D Funeral".


 

Se és adepto de sons estranhos, não irás ficar desapontado com esta banda. Passa pelos comentários deste post e devora todos os seus trabalhos lançados até então.




10/08/2017

Wine Lips - garage-punk enérgico de Toronto


Wine Lips é uma banda de garage-punk de Toronto (Canadá) que este ano lançou o seu álbum de estreia. E estamos perante um discão!! Com uma energia implacável e tempos rápidos, este grupo incorporou a autenticidade e o estilo das melhores bandas da actualidade.




Já tinham lançado um EP no ano passado (2016), mas os quatro temas que integram esse EP também fazem parte do álbum que foi editado no passado mês de Maio, por isso não se preocupem em procurar esse disco por aí.






Liderados pelo vocalista/guitarrista Cam Hilborn, que também faz parte dos fantásticos OL'CD, os Wine Lips tocam temas rápidos e agitados onde Cam arranca alguns solos completamente alucinados que fazem com que os meus olhos fiquem virados do avesso.





Estamos em Agosto e está calor, por isso não há nada melhor do que abrir as janelas, beber umas cervejas e obrigar os vossos vizinhos a ouvirem este disco no volume mais alto possível.


09/08/2017

Cat Nouveau - Radio Show episode #124 (17-07-2017)


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episode #124 tracklist:

Wine Lips - Slaves
Wine Lips - Big Muff
Timmy's Organism - Lick Up Your Town
Stefan And The Problematix - In The City
Poppets - Police! Police!
Liquids - Tart of The Shitty
Rock n Roll Adventure Kids - Boogie Board
The Traditional Fools - Kill Someone You Hate
Killakee Kat - Scum of the Earth
Kid Chrome - Demons
Left Arm - Dan The Peanut Man
The Omens - Gonna Be Alright
Thee Mighty Caesars - Career Opportunities
The Almighty Howlers - Hold Hand Heart
Aliment - Moving Mountains
C.H.E.W. - Voluntary Human Extinction
Penetrode - Fando Y Lis
Os Savages - Automatic
Tj & the Lipstix - Masquerade
Ooga Boogas - The Octopus Is Back
Protomartyr - Free Supper
Bloody Show - DUI
Public Eye - Dark Rooms
Terrible Twos - Intro + Goggles
Weak - My Girlfriend Is Seventeen
Modern Needs - Mixed Signals


Vaguess - outsider da cena punk de Long Beach


Vaguess (pronuncia-se como "Vegas") é o projecto a solo do americano Vinny Vaguess, um músico de Los Angeles, Califórnia. Surgindo sempre como um outsider da cena punk de Long Beach, Vaguess grita como os Fidlar, mas com voz anasalada fazendo recordar o punk de 77 dos famosos The Vibrators. Apesar disso, também percorre as ondas de surf rock e melodias dos sixties, como é feito pelos fantásticos Hunx and His Punx.
Ao vivo apresenta-se normalmente rodeado por músicos locais, tal como acontece com o seu outro projecto mais lo-fi e descomprometido: Fernando & The Teenage Narcs.



Os principais tópicos das suas canções visam sobretudo o ódio às instituições de ensino, o ode à masturbação, ficar aborrecido na praia e outros assuntos mundanos. Basicamente é o normal nas bandas de rock, e por isso se odeias Vaguess, é porque és um idiota estúpido que odeia o rock and roll.


Já editou várias cassetes, splits, EP's, singles, etc. mas apenas este ano é que lançou um álbum mais "à séria" chamado "Guilt Ring".


Uma review mais sóbria iria analisar e dissecar estas músicas individualmente, mas esse não é (nem nunca foi) o meu estilo. Tudo o que posso dizer é que, se já chegaste até aqui a ler é porque estás minimamente interessado nesta banda, por isso vai aos comentários deste post e devora o que possa lá haver que certamente não irás ficar desapontado.




08/08/2017

Naomi Punk - quem disse que o punk não pode ser belo, lento e harmonioso?


Naomi Punk é um trio formado em 2009 em Olympia, Washington (USA) quando o baterista Nick Luempert e o guitarrista Neil Gregerson eram colegas de escola, aos quais se juntou posteriormente o vocalista/guitarrista Travis Coster.
Fazem um som considerado punk minimalista com laivos de shoegaze mas essencialmente têm uma ideia bem definida do que querem fazer e uma firme confiança em fazê-lo.




A maioria dos temas são lentos e com algumas influências de grunge, estilo que predominou as suas raízes na década de 90. Ancorados por guitarras e vocais vagamente radioactivos, fazem um som pesado ​​e romântico, onde as desilusões amorosas dos tempos de adolescente são a base para toda a sua discografia.
As faixas são inesperadamente belas, recheadas de mudanças de melodia e estruturas muito sofisticadas o que dificulta bastante quem os queira encaixar em qualquer estilo definido.




Após terem lançado uma demo-tape em 2009 ("Naomi Punk") e um EP no ano seguinte ("CLS") editaram três álbuns:
  • The Feeling - em 2012;
  • Television Man - em 2014;
  • Yellow - em 2017





O álbum duplo "Yellow", composto por 25 faixas que foram gravadas nos últimos dois anos, foi editado este mês e é neste terceiro álbum que a banda leva ainda mais longe o experimentalismo sónico. Apresenta-se como uma metamorfose para a banda e essa transformação não pareceu ter sido combatida ou mesmo sofrida passivamente, mas sim uma mudança que os três membros esforçaram-se para a conseguir. É o som dos punks estranhos de Olympia que estão ficando cada vez mais loucos.



07/08/2017

Booji Boys - som sujo com vozes distorcidas


Reza a lenda que na década de 70 os DEVO estavam a produzir legendas para a sua curta-metragem Boogie Boy, mas devido a um problema com a cromo-litografia Letraset ficaram impossibilitados de utilizar a letra "g". Quando eles simplesmente usaram "j", o vocalista Mark Mothersbaugh teria comentado que a expressão estranha "parecia certa". Nascia assim a personagem Booji Boy (que viria a ser o nome dado à editora da banda).



 Os Booji Boys de Halifax (capital da Nova Escócia no Canadá) são claramente inspirados nessa bizarra e infeliz personagem, mas o seu som baseia-se essencialmente no punk dos anos 70 regado com muito power pop e gravado com uma enorme sujidade lo-fi e vozes distorcidas. E aqui o grande destaque vai para as vozes, quando eu digo distorcidas, já estou a ser simpático.




Liderados por Cody Googoo, que tocou na maior parte das grandes bandas punk de Halifax dos últimos anos, editaram o seu álbum de estreia no inicio deste ano e acabaram de editar um novo EP intitulado "Sweet Boy".


Comparando com as bandas atuais, posso dizer que os Booji Boys me lembram muito os The Coneheads ... essencialmente pela peculiaridade inspirada nos Devo, mas também há uma vertente de pop-punk das bandas da Lookout! no seu som. A gravação (como acontece com muitas bandas deste estilo) é às vezes demasiado crua, mas há algo realmente excelente aqui que brilha apesar do som assumidamente sujo. Muita gente está à espera que eles limpem um pouco mais o som nos próximos trabalhos mas acho que esta característica sonora é que os torna especiais.





04/08/2017

Fernando & The Teenage Narcs - isto é dumb punk


Fernando & The Teenage Narcs é uma "banda" de Los Angeles formada por membros dos Vaguess, Wild Wing, Tongues e Denim Skull. Assumem-se como mais uma "banda" de dumb punk (punk pateta), isto é, tocam um punk rock rápido onde as letras não versam sobre temas profundos.

Reparem no uso repetido de aspas em torno da palavra "banda". Isto é porque Fernando & the Teenage Narcs não é o que se possa considerar como uma banda real. Apenas recentemente se juntaram para actuarem ao vivo, mas todo o seu repertório é escrito e gravado por um indivíduo em Los Angeles, Vinny Vaguess. Fernando & the Teenage Narcs é essencialmente um projecto paralelo à sua banda Vaguess (pronuncia-se como "Vegas").





O surgimento do nome da banda foi explicado por Vinny com uma curiosa história relativa aos seus tempos de estudante de liceu. O seu grande amigo Ed (principal responsável pela editora Loose Grip Records) costumava traficar alguma erva durante os intervalos das aulas. Tinha um cliente habitual chamado Fernando que andava sempre a chateá-lo para comprar mais e mais. Até que um dia Ed é detido e ao chegar à esquadra vem a saber que Fernando era afinal um policia disfarçado.
Enfim, esta é a alegada história por detrás do nome de Fernando & The Teenage Narcs. Não sabemos se é verdadeira ou não, mas Vinny garante que sim.




Já lançaram vários EP's e splits mas a Refry Records reuniu na colectânea "Jesus Christ Super Narc" todos estes trabalhos.



03/08/2017

The Cowboys - os novos reis de Bloomington


The Cowboys é uma banda formada em 2012 em Bloomington, uma cidade universitária no estado americano do Indiana, conhecida essencialmente por ser a cidade dos famosos The Gizmos.
Em termos sonoros estamos perante uma banda difícil de descrever, Martin da Lumpy Records, editora que em 2016 lançou uma compilação com os seus melhores temas, compara-os bastante com os seus conterrâneos The Gizmos, o que concordo em absoluto mas juntava-lhe mais um pre/proto-punk onde temos semelhanças com os Bizarros e até uma onda retro-garage à la Billy Childish (especialmente o período dos Milkshakes).
Numa recente entrevista o vocalista Keith Harman disse: "Não somos fiéis ao "punk" ou "garage-rock" ou a qualquer coisa assim, apenas estamos a tentar escrever boas canções e as boas canções existem em todos os estilos e formatos".
Isto quer dizer que não temos um estilo definido para o som destes rapazes, as músicas são muito diferentes umas das outras, variando de um punk feroz tipo Dead Kennedys a sons inspirados nos anos 50 que têm uma semelhança passageira com Buddy Holly.





Já lançaram vários temas, reunidos em volumes, mas em 2016 a Lumpy Records decidiu reunir os seus melhores temas numa compilação que tem uma capa no mínimo polémica (como se pode ver no vídeo seguinte):





02/08/2017

Cat Nouveau - Radio Show episode #123 (10-07-2017)


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New York / Montreal : 13:00 / 1 PM
Brasil : 14:00 / 2 PM
Chile : 15:00 / 3 PM




episode #123 tracklist:

Flowers Of Evil - Introvert
Flowers Of Evil - Cellular Suicide
The Bombats - Surfin Bat-Man
Black Mambas - Wanna Get A Job In The City
Teengenerate - She's Alright
The Fucktons - We Are The Fucktons
Duty Toot - Bit By Bozo
Decisions - Control
Freak Genes - Nothing’s Plain To See
The Secret Prostitutes - Det Samme Vere Dag
LA Cry - This is Punk Rock Not L.A
The Lasters - I've Got No Feeling in My Pinkie
The Crawlers - In Through A Toilet
Cheap Whine - Step Off
TV Crime - Clocking Out
The Visitors - Saturday Night
Nopes - Screens
Private Function - Spontaneous Combustion
Dan Soto & The High Doses - Dead of the Night
Sexual Christians - Spiritual Headlock
Bloody Show - Open Fire
Kenny Kenny Oh Oh - Decades (Let's Go)
The Great Munzini & The Astonishing Sotos - Turban Twist
Chimiks - The Valley of Broken Hearts
Killakee Kat - Veins
Nots - Cruel Friend
Structure - Decline


Uranium Club - punk do faroeste embrenhado em produtos químicos


Uranium Club (ou The Minneapolis Uranium Club) é uma mistura estranha de estilos rock e punk dos anos 70 com uma dose forte de new wave dos anos 80. Como é fácil de perceber, são um quarteto formado em Minneapolis em 2014 e fazem um som parecido com os primeiros tempos dos Wire, mas embrenhado numa aura espacial que recorda bastante os Man Or Astro-Man (os fatos de astronauta que envergam nos concertos são a prova). O álbum de estreia lançado em 2015, "Human Exploration", lembra-me bastante Dow Jones and the Industrials com alguns laivos de Big Boys e Devo. Após o post de ontem dos Coneheads, ficamos a perceber que o melhor punk rock da actualidade é feito por geeks americanos.




Enquanto as melhores bandas atuais, como os Ausmuteants e Coneheads, explodem com o seu punk rock frenético e cruel, os Uranium Club vêm com uma abordagem mais minimalista onde as duas guitarras se entrelaçam de tal forma perfeita que nos hipnotizam e nos fazem querer voltar atrás para ouvir novamente.





Lançaram quatro discos (2 álbuns e dois EP's/singles) e todos nos últimos dois anos, por isso aguardo impacientemente por mais novidades destes rapazes.



A cadência rítmica feita pelo baixo e bateria e as guitarras ásperas criam uma ansiedade insuportável, mas cada música é mais exuberante e apaixonante do que a última. Não consigo parar de voltar a ouvir novamente e novamente e novamente ...
Em relação às letras, são completamente disfuncionais e recheadas de humor, como é o caso da estrofe "Will you please piss on my teddy bear?" no tema "That Clown's Got A Gun" que foca a falta de sentido de orientação duma criança. Ao ler algumas das outras letras ficamos a perceber que poderiam fazer parte do livro "O capital" de Marx ou então do manual de instruções da Sunbelt Chemical Corporation tal o nível avançado com que descrevem os produtos químicos e a sua eficácia na remoção de sujidade.



Enfim, os se os Uranium Club irão ser importantes na história da música rock não sei, mas uma coisa é certa, eles estão bastante auto-conscientes no rumo que estão a trilhar e os meus vizinhos ouvem-nos quase todos os dias.


01/08/2017

The Coneheads - Punk extraterrestre alimentado pelo ódio pelas grandes cidades, pela tecnologia e por si próprios


Confesso que uma das razões que me fez regressar aos reviews/downloads neste blog foi para vos poder falar desta banda.
The Coneheads é um trio de punk-hardcore completamente demente do estado americano do Indiana que nos últimos quatro anos tem varrido o planeta com o seu som de outra galáxia. Bastante influenciados pelos Devo, Screamers e Dow Jones and the Industrials fazem um som extremamente rápido e viciante que me faz recordar uma data de bandas dos últimos 40 anos.





As temáticas abordadas visam sobretudo o seu ódio profundo às grandes cidades e às tecnologias, convém aqui referir que Mark Winter (baixista/vocalista) não usa internet nem smartphones, por isso todos os contactos com ele terão de ser feitos como eram feitos em 1982.
Um dos exemplos desta teoria pode ser comprovado em "Big City Baby" onde Mark berra "You don't even know who the fuck I am/ You and your Internet snooping can burn in hell."




Lançaram vários discos e cassetes mas nada muito organizado (afinal de contas sempre se assumiram como uma banda que não quer ser encontrada nem reconhecida). Os temas sucedem-se espalhados por vários álbuns, alguns repetidos, outros apenas em versões "live" mas deixo-vos aqui os principais:




As últimas notícias referem que a banda terminou, mas com esta gente isto nunca é muito certo, afinal de contas não dá para enviar um email a confirmar.
Uma coisa é certa, se Kurt Cobain fosse vivo iria chorar de felicidade ao escutar a cover que eles fizeram do clássico "In Bloom" em que o deixaram completamente irreconhecível.



Passa pelos comentários deste post e faz com que os teus vizinhos te passem a odiar cada vez mais.